quarta-feira, 8 de outubro de 2008


* Pra quando nossa hora chegar *

Estava com a roupa toda amassada na esquina do bazar esperando o bonde passar.
Todas as suas quartas-feiras eram assim. Duas horas e trinta e quatro minutos ao lado dele e seu vestido florido coitado é quem pagava o pato, ficava todo amarrotado, mas ela nem conseguia pensar nisso. Aliás, trazia no semblante algo novo. Um sorriso feito de pequenas estrelas.
Deveria ter dito a ele que seu nariz fungava um tanto só de ter um pensamento onde ele estivesse presente. E que seus olhos queriam fazer correntezas.
Também queria ter dito que adorou a echarpe que ele havia lhe dado de presente. Queria ter dito que achou bonito ele ter se preocupado em saber qual era a cor da echarpe quando entregou a ela repetindo por três vezes:
-É coral, viu? Coral. Deve ser coral porque tem a tonalidade daquilo que os peixinhos do mar fazem de morada.
Ela nem se preocupava quase em ter que chegar em casa uma hora daquelas.
Em ter que segurar aqueles pacotes do supermercado abarrotados de compras pra sua mãe.
Muito menos de sacolejar dentro daquele bonde por quarenta e sete minutos.
Aqueles momentos vividos ao lado dele foram luz, pozinho de purpurina, alimento para alma de uma menina-antes-sozinha que hoje era par de alguém. Par do moço mais gentil do mundo.
Até chegava a crer que havia nascido pra viver aquele "conto de fadas".
(Deus os havia feito numa mesma fôrma, mas como ele demorou um tanto mais para secar por causa da umidade das nuvens cinzentas, ela desceu um pouquinho antes - com aquela pressa que lhe era inerente).
Ao lado dele seria eternamente aquele primeiro mês de setembro sob o sol do Gasômetro.
Transbordavam de sonhos, mesmo que ainda separados por algumas ruas de Porto Alegre, sabiam que desde sempre estavam destinados um ao outro.
PS: Amor. Amor. E ainda amor.

Um comentário:

Felinea disse...

ah [!], se o mundo fosse todo de sorrisos feito de pequenas estrelas...

lindo lindo :))

beijocas.