sexta-feira, 6 de novembro de 2009


* Meu coração – que é feito do mesmo tecido que é bordado o teu *

Adoro ler “céu” escrito no final da amarelinha com um giz azul mas tão azul que parece ser até invenção da minha cabeça. E sei que poderão até pensar: “Coisa bobinha essa”. Coisa minha, eu pensarei.
Uma mocinha metida ou um cara amargurado qualquer poderá tentar roubar as tuas frases prediletas do Caio, mas tu saberás que o Caio escreveu elas pra nós dois (que nos amamos puramente). E ponto final. Aquela sobre “almas especiais que se reconhecem”, bem como aquela “memória congestionada e coração com marcas e ocupar lugares bonitos” são valsinhas para embalarem os sonhos feitos de pão-de-ló e doçura que nós dois, juntos, temos.
O ipê repleto de flores roxas também. Deus desenhou aqueles ipês todos na Redenção para nós. E acreditem, apesar do trabalho todo, no final da labuta, ainda pensou: “Para aqueles dois só coisas que nos fazem acreditar que o amor, enfim, é possível”. As flores do ipê, as ruas de Porto Alegre, os tapetes roxos, são nossos.
E essa vontade absurda de tentar fazer o melhor, de ser o melhor. De não brigarmos por coisinhas poucas. Não somos os dois reféns de discussões desgastantes. Aprendemos diariamente, um pouquinho mais, sobre gentilezas. O amor, para que ainda não sabe, vive de gentilezas.
Às vezes, apenas às vezes, acontece de encontrarmos numa velha foto o amor de nossas vidas. E sortudo é aquele quem consegue. Sortudo mesmo, querida, sou eu. Encontrei numa foto meio amassada, o grande amor de minha vida. Te encontrei!
Desde então, desde o dia que te conheci, parei de procurar as conchinhas coloridas na beira do mar. Desde o momento em que casamos, as conchas que eu tanto queria, fiz com as tuas mãos unidas às minhas.
Temos em nossas conchas não mais barulhos do mar. Temos dentro de nossas conchas furtacor, agora, o amor de todo o mundo guardado.
E por favor, não fiques chateada, se por um minuto eu fechar os meus olhos. É só para pensar em ti.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


* Do teu girassol *
Bendito seja o teu nome.
Rezo assim, todos os dias, antes que o anjo do sono venha me fazer sonhar (contigo).
Perguntam a mim: o que é o amor?
(-É desa-linho de roupa (penso).
-É desa-cordo por deuses perfeitos. É acordo por gente feliz (penso).)
-É desa-tino de alma, respondo.
Nossas vidas, ainda bem, não cabem numa mera estrofe em meio de uma prosa poética.
É assim...
Antes de nos conhecermos nossas histórias cabiam em quatro, cinco linhas.
Coisa bem curta, sem grandes emoções.
Num mundo árduo, cinza, de barreiras e construções intransponíveis, nosso amor aconteceu.
Girassóis, girassóis, girassóis que te cobrem, que me fazem acreditar.
(Amamos um no outro até o barulhinho que faz os cílios quando encontra com a brisa).
Será realmente bonito contarmos aos nossos filhos.
E um desesperançado coração avulso lerá essas linhas docemente bordadas e questionará:
- Para que falar de amor?
Nós dois, numa única voz, ainda diremos:
- Realmente, não precisamos. Nós simplesmente fazemos acontecer o amor.
PS: Nas próximas postagens tentarei usar textos antigos. Beijos aos que amam!!!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


* Sobre algumas outras histórias *

Sempre quis compreender o raciocínio daquela gente má.
Não conseguia entender como alguém poderia mentir tanto:
Heloísa já havia tentado retalhar os seus pulsos acinzentados milhões de vezes e fazia de Leo seu bode expiatório predileto. Era como se Leo fosse propriedade de Heloísa. E como Heloísa era má. Assassinava Leo diariamente com aquela coisinha pouca de sentimentos ardilosos, que cheiravam a mofo e maldade. Leo sentia-se só no mundo e mal acreditou quando conheceu a menina loira que o salvou de um mundo repleto de mau agouro. Leo agora está salvo.
Não entendia como alguém poderia trair tanto assim:
Vidinha era uma pessoa horrorosa. Não só feia de "cara". Feia de coração. Vocês sabem como é essa gente. Aquela pessoa tão insegura que será capaz de trair a pessoa que "ama" com qualquer um. Ou qualquer um que lhê dê alguma chance. Vidinha tentava trair Bruno com todos que conhecia. Vidinha era uma menina gritona, com cabelo seco e um jeito oferecido, o qual vocês não gostariam de conhecer. Bruno tinha olhos grandes e alma boa, entretanto acreditava em todas as asneiras contadas por Vidinha. Vidinha teria que vir umas 17.000 vidas para tentar se purificar um pouquinho. Eu disse: "um pouquinho". Bruno tinha toda aquela ladainha de Vidinha como verdade absoluta. Ficou sem amigo nenhum, vida nenhuma. Se nutrindo daquela coisa pequena que Vidinha lhe oferecia. Mas como toda história tem um final feliz, Vidinha começou a desenvolver um mau hálito crônico. E não conseguiu trair Bruno com mais ninguém.
Também não entendia essa gente que fica apenas cuidando a vida dos outros:
Irielete. Nome péssimo, eu sei. Desculpem as Irieletes do mundo inteirinho. Essa mocinha era abominável. Assim, se o "Abominável Homem das Neves" a conhecesse, deixaria esse título para ela. Irielete era má. Falava mais que a própria boca. Chamava de amigo e engalfinhava por trás, as costas todinhas. Irielete aprisionava um príncipe em seu calabouço e jurava aos quatro ventos que aquilo era amor. Pois digo uma coisa, isso tudo é acomodação, Irielete.
Queria entender aquela negatividade toda.
Felizmente, não teve tempo.
Ela deu-lhe a mão e num passo apressado o levou, ainda dizendo:
- Não dá tempo agora, amor. Entende assim...talvez sejamos camomila no meio de ervas daninhas.

PS: Desculpem por eu não postar um texto antigo hoje, fiquei com vontade de homenagear alguém que diz que temos apenas coisas bonitas para comemorar.

terça-feira, 13 de outubro de 2009


* Das três palavras mágicas *

Faz-de-conta então que estamos em Paris.
E em Paris teremos todos aqueles rituais de amor com os quais estamos acostumados.
Poesia.
Balões coloridos.
Sorrisos.
Olhares marejados.
Acreditamos em Deus.
Acreditamos em nossos futuros filhos.
Brindamos com xícaras repletas de expressos quentes esse sentimento. Sentimento bonito.
No início, em menos de oito dias, quando menos percebi, dei-me conta que olhava para o mesmo ponto que tu, vislumbrando um futuro que apenas aqueles que crêem nas bolinhas de sabão, bicho-papão bonzinho que mora no armário, mariola de morango...poderiam crer.
É aquela coisa além de precisar, de amar. É ter um companheiro para o resto dos teus dias, e começo de outras vidas que ainda virão. E que sim, compartilharemos juntos.
Basta ligares no final do dia e eu me visto de esperança, felicidade e vou ao teu encontro.
Porque, querida, tu tens o dom!
És as minhas pequeninas certezas, gigantescas vitórias.
Três anos e ainda tenho meu músculo escarlate a pulsar como se fosse o primeiro contato.
Três anos e tenho a convicção que não é nossa primeira vida juntos.
Por caminhos antes desconexos, estamos unidos.
Tu que bebes pouca cerveja preta, tens os olhos verdes mais belos, jeito sereno, és libriana e bonita como ninguém.
Ao teu lado é apenas o amanhecer infinito...
E três palavras bastarão para um fim merecedor de "chave-de-ouro":
eu te amo.

PS: Faz-de-conta que estamos em Paris, tenho nas mãos um ramalhete de girassóis amarelos, e um convite para jantar. Aceitas? : )

quinta-feira, 1 de outubro de 2009


Da série postagens antigas - parte XXXVII - texto do dia 07/03/2007.


* Sobre Clementine, Joel e o para sempre * (ou ainda *Sobre nós dois*)

- Lembra como foi na primeira vez?
- Lembro sim. Eu te olhei, mas tu não me olhaste.
- Olhei sim, logo que cheguei lá, te vi.
- Mas eu estava de costas. Eu não te vi. Vi teu nome na lista. Doeu um pouco meu coração, mas na mesma hora pensei: "Pára, idiota. Tu estás namorando.".
- Mas pensou em mim?
- Não consegui dormir as noites anteriores da festa. Sonhava com teu nome na lista. O teu nome que rima com "mel". Como gostaria de ter aquele teu doce todo. E me punia por pensar assim.
- Ainda bem que não ficou te punindo a vida toda.
- Ainda bem mesmo.
- Eu não esperava que tudo isso acontecesse.
- Eu esperava.
- Não sabia de onde tirar coragem. Daí eu abri a minha cartola com borboletas mágicas e acreditei.
- Fico feliz.
- Te ter na minha vida é uma vitória.
- Me beija?
- Vamos ser felizes pra sempre!

PS: A tua borboleta gravada no ventre permanecerá para sempre na memória do meu coração.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009


* Breno e Olívia *

Foi numa dessas ocasiões que ninguém saberia bem explicar em que se encontraram pela primeira vez. Breno relembra dizendo da casa de teto alto. Do telhado acinzentado em que pousaram duas pombas pardas. Uma voou para longe logo no início, a outra permaneceu ali e com a memória curta e pequena das pombas fez uma prece baixinha para que o amor acontecesse ali. Breno recorda de passagens que nenhum outro cara lembraria.
Olívia, ao contrário, tem dificuldade em guardar os momentos líricos. Sabe dizer que naquele dia vestia uma bota marrom tabaco com diminutas escamas sobrepostas na frente e laterais. E que cantou três canções naquele palco. Uma delas para Breno, para os olhos (que sorriam) de Breno.
Olívia era um tanto incrédula para esses assuntos do coração. Bastaria para ela alguém que fosse gentil, que tivesse tosse “educada” e que não proferisse palavrões durante os jogos do Grêmio. Olívia achava que não exigia tanto. Ah sim, e fidelidade. Fidelidade de ideais, como ela mesma definira.
Breno desejava uma garota que tivesse a sua altura. Não gostava de ter que se curvar para abraçar. Não que fosse preconceituoso em relação às baixinhas, mas queria tanto encontrar uma moça de 1,70 ou pouco mais. Tinha a cisma que assim poderia se entregar mais num bom abraço. Breno era assim, afoito, pura emoção. Se jogaria aos pés de Olívia se ela tivesse dito um pouco antes que aquela canção era pra ela. Nada feito. Olívia não confessou o seu interesse. Breno calculou que ela tivesse cerca de 1,74 de altura. Sorriu.
Esqueci de mencionar o que unia profundamente Olívia e Breno, a predileção pelo Tricolor Gaúcho e a teimosia.
Quando terminou de cantar, Olívia sentou-se junto a Breno. Breno gaguejou um pouco. Era gagueira de emoção, como gostava de dizer.
Olívia insinuou-se um pouco. Mulheres são elegantes nesse ato.
Breno quase derrubou a Coca-Cola que tomava. Homens são péssimos nesse tipo de investida.
Apesar da boa memória, Breno não sabe dizer o que aconteceu. Olívia, muito menos.
De uma hora para outra estavam sentados num degrau, no segundo lance de escada daquela casa com as mãos já unidas (como fazem há “quase-quase” três anos).
Haviam criado, os dois juntos, uma possibilidade de amor.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Da série postagens antigas - parte XXXVI - texto do dia 06/03/2007.

* Sobre um amor assim...* ( ou ainda * PS: Para o (a) meu (minha) amor (a)* )

Sei que tu sonhaste em ser minha.
Sei que um dia acordaste de um pesadelo incômodo que tornava teus dias cinzas.
E sei das vontades que tens de mim.
(a vontade que tens quando acorda e estica a mão esquerda - adornada com o símbolo do amor infinito - para o outro lado da cama e não me encontras ali. E sei disso porque faço o mesmo na minha cama todos os dias e desperto chorando um pouco da falta que me fazes).
Escrevam aí, meus senhores... os "ps" são todos meus para ela.
Tu escreverás ao final da página amarelada, desbotada, triste..."PS".
Tentarás ter todo o amor que eu sinto por ela nas tuas palavras.
Mas amor (verdadeiro), só o meu por ela.
(E me desculpem o egocentrismo passageiro).
Sei que tu queres que o castanho dos meus olhos dance com o verde dos teus.
Num balé que não tenha mais fim.
Não quero mais despedidas.
Não quero mais abraços de "até logo".
O pessoal do teu trabalho que espere,
o meu pai que me perdoe,
as plantas que fiquem esperando por água,
que o tempo pare... porque quero estar contigo.
Sei que sonhaste com um príncipe bonito, cordial, por vezes cavalheiro, gentil, charmoso, elegante.
Espero que seja feliz comigo e com meu pobre "Reino das Amoras".
E que case comigo...
porque sei que como eu, tu também sonhavas com um amor assim.