sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Da série postagens antigas - partes XVIII e XIX - textos dos dias 21 e 22/11/2006.


* Da conversinha matinal *

- Teus olhos são realmente verdes?
- Bom, eles variam de acordo com a roupa. Mas são verdes sim. Por que, amor?
- ada não... estava lendo uma coisa e lembrei de ti, amor. Apenas isso. Aliás, eu sempre estou fazendo isso, lembrando de ti.
- ...
- Te amo.



* A carta que nunca te entreguei *

Olá,
não irei ao encontro de hoje.
Não irei porque morro de medo de ti.
Tenho pavor da idéia de abrir uma porta, te encontrar do outro lado e ter certeza que quero passar a minha vida contigo.
Então prefiro não abrir a porta.
Prefiro pensar o quanto seria bonito nós dois.
Mas me desculpe, hoje não irei.
Queria apenas sonhar pra sempre com a possibilidade de te encontrar hoje.
Levaria três gérberas amarelas (e diria que amarelo é cor da amizade. Mentiria descaradamente pra ti. Mesmo querendo até que dolorosamente que aquelas gérberas fossem rosas, ou vermelhas que explicariam essa ardência que me consome agora).
Eu gaguejaria teu nome ao falar no interfone (e tu quase não notarias).
Não perceberia o meu nervosismo por causa da tua ansiedade também.Tu abririas a porta, eu teria certeza, tu terias certeza. Mas ficaríamos mudos.Tu me darias um presente. Me daria um livro do Caio. Eu não chutaria o título do livro que me darias de presente. Mas seria do Caio.
Eu pegaria o livro nas mãos, pularia rapidamente pra contracapa. Procuraria uma dedicatória. Não haveria nenhuma. Mas logo em seguida tu falarias:
- Ganhei a aposta.Eu ficaria quente.Eu sou quente, mas ficaria mais quente ainda.
Sorriria um sorrisinho assim apático (e por dentro estouraria em cores, tules, confetes, brocais).
Mas apenas te doaria uma risadinha.Sentaríamos numa grama tão verde quanto teus olhos.
E eu diria que pensei em ti todos os dias (em que não esteve aqui).
Mas não irei ao encontro.
E pretendo te enviar esse e-mail quando ficar um pouco tarde pra eu poder chegar e tu lembrares que nunca faço alguém esperar.
Continuarei por aqui.
Espero que tu sejas feliz, mas bem feliz mesmo.
Que encontre alguém que te inspire poesia, suores, canções, abraços apertados.
Eu não sou a pessoa pela qual tu esperavas.
Eu sou medrosa, desencorajada.
E triste. Desculpe.
Te procurarei numa próxima vida.
Não quando formos gatos, meninos pequenos, cachorros vira- latas... mas quando tu chegares antes e quando eu for mais corajosa.
Apenas saiba que eu te amo (e isso é verdade e apenas hoje terei força pra te dizer isso).
Abraço, eu.

4 comentários:

O Publicitário disse...

Muito bem Natália..o que posso te dizer?

Teu blog é cativante...Se boa parte desse conteúdo tem a ver contigo. Eu só posso pensar que a pessoa que está contigo tem toda a sorte do mundo. É se não existir ninguem nesse aspecto..., prazer...me chamo João Alexandre

Dani Cabrera disse...

Ainda bem que nunca enviou! rs

Beijos Naty,

Saudades!!!

Estefanie Fernandes disse...

Que bom que se não foi a este encontro, foi a outro =)

Shirley disse...

Olá Natália. Quando leio seus textos parace que vejo páginas da minha vida. Isso é muito estranho e fascinante.