quinta-feira, 21 de agosto de 2008


* Das liçõezinhas gramaticais *

No início era apenas um verbo: Amar.
Sabia que era um verbo intransitivo.
Não precisa de objetos, nem direto, muito menos indireto disse a professora da quinta série chamada Marilu para ela um dia.
Mas não era bem assim.
Na escola ela tinha aprendido de forma errônea e isso estava provado agora.
Com um quarto de vida (desde a infância acreditou que as pessoas morressem com boas histórias realmente para contar com um século de vida) encontrou o seu complemento.
Não era a minha intenção dizer isso tão diretamente. Peço desculpas e remendo o contado. Com 25 anos, tristezas a mais e sorrisos a menos, ela o encontrou.
Bom, foi ele quem a encontrou. Numa multidão de rostos desconhecidos, ele a viu acariciando o cabelo negro com mechas avermelhadas que aquele dia úmido deixara todo eriçado. Coisas de mulher, eu sei. Homens não têm medo de dias chuvosos, mulheres são capazes de dar à luz, no entanto morrem de medo de umidade.
Ele queria ter passado os dedos trêmulos naqueles fios escuros, mas não o fez.
Ela queria dizer que o esmalte que estava usando se chamava "Deixa Beijar".
E faria um comentário bem humorado após isso:
"- É cada coisa que se vê hoje em dia".
E ele talvez dissesse: " - Porque tu não sabes ainda o apelido que eu ganhei na escola..."
Ela perguntaria (sorrindo e com uma esperança imensa dentro de si para que aquela conversa não acabasse): " - E qual era o teu apelido?"
Ele então faria uns ares de suspense e logo em seguida responderia pausadamente: "Xe-re-ta".
Cairiam na risada.
Ele tocaria o ombro dela, completaria: "- Por essa tu não esperavas, né?"
Ela com as mãos gesticularia e falaria: " -Não, mas porque não te conheço ainda."
E essa seria a brecha para começarem uma história de amor.
Mas ela estava comprometida.
E ele estava um pouco ocupado demais vivendo histórias repetidas, angustiantes, "assim-assim".
Depois dessa primeira vez, ela não parou mais de pensar no nome dele. Nos olhos dele. Naquele sorriso. A cada manhã tinha mais certeza que o seu verbo amar tinha encontrado o complemento perfeito: ele. Entretanto ela não era nada corajosa. E não tentou encontrá-lo. Tentou levar adiante aquele namoro malfadado. Tentou ser uma pessoa melhor. Tentou esquecê-lo. E não conseguiu.
Uns dois meses se passaram. Ele ainda descolou umas menininhas. Sempre tem gente querendo algo descartável. De uma noite só. E ele sabia que possivelmente não a teria. Que em breve ela iria se casar com outro. E ela não era uma moça de uma noite apenas, e sim de todas as noites pelo resto da vida.
Ele cansou.
Ela cansou.
E foi aí que ele criou a coragem (que nela até então era inexistente). E saiu à procura daquela que era dona de seus sentimentos mais profundos. Marcou um encontro com ela.
Disse que estava apaixonado. Que era pensar nela e acordes de violão ecoavam por todo seu corpo.
Ela (com as habituais lágrimas nos olhos escuros) disse que sentia o mesmo.
Não se beijaram.
Seguraram as mãos um do outro. Tentando ali penetrar um na vida do outro.
(Borboletas no estômago).
Chegaram bem perto um do outro.
Dois corações em brasa.
Se abraçaram demoradamente.
Combinaram um segundo encontro para a próxima semana.
E a partir de então quando estão juntos só sabem usar aquele verbo intransitivo.
(Amar, amar, amar...)

PS: É como te disse pela manhã, és quem completa minha vida.

7 comentários:

Camila disse...

Mimosa! (minha tia me chama assim, e no "mo", ela prolonga a vogal. acho bem bonitinho).
Que história mais amanda e fofa (como vcs, né?).
Aaaaaamo esse casal e estou louquinha pra ver vcs de pertinho e sentir esse carinho todo que deve saltar dos olhos de vcs.

Muitos beijos meus.

Estefanie Fernandes Simões disse...

Dizem que português é uma das línguas mais difíceis de se aprender, mas acho que é porque não descobriram toda a beleza que essa língua tem.

Beijo. =)

Textos uns mais lindos que os outros.

Samira disse...

oiee!!

essa história eh mto parecida cm a minha e meu namorado.. soh muda alguns detalhes.. parece ateh q foi feita baseada em nós..

mto legal oq tu escreve no blog xD
sempre leio.

bjoo

Germana disse...

Mais uma vez: lindo, lindo, lindo....

Felicidades!!

nat disse...

parabens! adoro vir sempre aqui, nesse 'cantinho' tão aconchegante para nos apaixonados.

bjão :*

Dani Cabrera disse...

Naty!

Nem sei o que dizer.
Só sei que é uma coisa de dentro, uma coisa que desejo à vcs e que não sei nem escrever o quê.
O que será essa coisa grande, imensa e maravilhosa que eu desejo à vocês?

Ai, não sei!


Casem-se logo por favor!
Vocês são um pedacinho do céu!


Três Mil Beijos na bochecha de cada uma! :D

Babi disse...

Tão lindo sentir dessa forma! Desejo que todas as bênçãos dos Céus caiam sobre vocês! O amor deve ser para sempre abençoado!
Felicidades e muito amor...

Beijinhos!