segunda-feira, 8 de março de 2010


* Todas as noites eu sonho contigo *

Era como se antes ele vivesse num ferro velho.
Tudo cinza,
enferrujado,
empoeirado.
Aos pedaços.
Tinha uma vida aos pedaços. Antes.
Não acreditava nas coisas que colorem a vida,
não sabia os nomes daquelas flores que desabrocham em roxo e rosado.
Gaguejava quando o questionavam sobre o amor.
Não que não soubesse o que era o amor.
Devia ser algo quentinho que mora dentro da gente.
Ou não.
Simplesmente não gostaria de apostar o que representava aquele sentimento.
Mas tudo mudou num dia.
Num dia quando ela apareceu.
Eis que os raios solares adentraram a janela, se espalharam pelos cantos da sala.
O desbotado que morava nas paredes despediu-se. Baldes de tintas felizes preencheram cada cantinho da casa.
As andorinhas fizeram de todo o ano verão.
Deus desenhou um arco-íris num céu antes pálido.
A alma de toda a gente passou a acreditar.
E ele, agora não mais sozinho (com ela em seu coração), sabia descrever o amor.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Da série postagens antigas - parte XXXIX - textos dos dias 03 e 15/03/2007.

* Vermelho *

Porque antes eu tinha uma alma mansa, um sorriso pouco, uma esperança diminuta, uns olhos opacos.
E então tu apareceste com todas tuas mil cores, teus gestos bonitos, tua paz, teus beijos enlouquecidos, teus lábios ansiosos, teu corpo em brasa, tua delicadeza, tuas delícias, tua forma de amar.
E o meu planeta passou a ter umas pinceladas vermelhas e começou a se chamar "Amor".


* Sobre a busca que acabou *

Te procurei por entre as flores do jasmineiro que me alegravam em dias bons e nos dias ruins deixavam até meu pai enjoado com tanto cheiro adocicado.
Te procurei nas mais altas montanhas, depois de andar as maiores distâncias, quase morri em vários desfiladeiros tentando te achar.
Te procurei quando havia sede por horas bonitas e fome por esse amor intenso.
Te procurei em sorrisos de "Vou bem, obrigada".
Te procurei nos abraços apertados.
Dentro da página que estava com o marcador destacando: "...Desde aquela tarde quase quente de setembro, quando nos estendemos nus sobre a areia clara das margens da sanga de Caranguatatá, um dia perto do teu aniversário, o céu azul feito alguém tivesse pintado ele, essas ventanias de primavera secando rápido nossos cabelos molhados, enquanto uma borboletinha amarela esvoaçava entre nós para escapar depressa no momento exato que, ali do meu lado, você se debruçou na areia para olhar bem fundo dentro dos meus olhos...".
Te procurei na poesia do Caio (tal qual o nome do nosso futuro filho).
Nas canções que embalam nossas vidas.
Te procurei até na fila de pão no supermercado.
Nos cafés todos, querida.
Te procurei com cachecol em noites em que a boca treme sozinha, desamparada (como quem precisasse de um beijo para voltar a esquentar).
Nas entrelinhas das letras do Fito Paez.
Te procurei nos sonhos de criança.
Na roda-gigante do parque de diversões.
Perto da cama ainda quente de nossos dois corpos.
Te procurei no tronco da árvore em que nossos nomes estariam para sempre tatuados: tu e eu.
E ainda assim não te achei.
Foi então que olhei para dentro de mim...e aqui te encontrei.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010


Queridos,
prometo que "logo-logo-loguinho" estarei de volta para deixar um pouco de mim, do amor para vocês.
Estou com saudade.
Beijos,
(da menina loira e do menino ruivo).

terça-feira, 29 de dezembro de 2009


* Do oito deitado – parte VII *

Estava tudo bem atribulado, corrido, mas aí no meio do expediente, resolvi escrever para ti um poeminha.
Nada assim que seja capaz de desmanchar um coração gélido de uma senhorinha que nunca acreditou no amor,
ou de mudar rumos, de mudar a trajetória de uma pipa multicolorida riscando num "céu-fim-de-tarde-púrpura".
Mas um poeminha capaz de fazer com que tu saibas o quanto acredito no mundo, no amor, nas pessoas, pelo simples fato de tu estares aqui (ao meu lado).
E devo dizer que ontem quase morri do coração quando tu desapareceste.
Imaginei o infortúnio que correria pelas minhas veinhas pelo resto dos dias.
Me senti desconsolado com o telefonema de tua mãe e tentava desesperadamente reconstruir mentalmente todos os passos que tu havias dado até chegar na beira do rio.
Melodramático como bem sou, te imaginei sendo devorado pelas ondas do lago mal cheiroso, afundando. E o mais triste, sem eu ter cumprido a minha principal promessa.
E eu fiquei lá pensando: “Deus, faça que ela volte!”.
Bem, e Deus sabe bem o que faz.
E tu, sendo uma menina-princesa não mereceria um fim desbotado como esse.
Aliás, se um dia vier o “The End”, tu merecerias um com luzes neon piscantes que diriam: “Aqui jaz a princesinha do castelo de sonhos do menino ruivo”.
Não gosto de falar sobre finais.
Então retorno para os inícios. Começos. E recomeços.
Nosso verdadeiro encontro aconteceu na terceira ou quarta vez que nos avistamos.
Gosto como tu defines.
Aconteceu um “click” dentro de ti, e tu me procuraste.
Eu devo dizer que comigo foi um tanto diferente.
Dentro de mim ocorreu uma avalanche de sensações. Meus lábios começaram a ensaiar só o teu nome. Teu nome que rima com mel, céu, dossel, carrossel... teu nome que rima apenas com coisas realmente bonitas.
Era como se antes eu estivesse preso em um calabouço pequeno, estreito, claustrofóbico. Antes de te conhecer, era como se eu estivesse numa peça teatral, onde eu era o menino que carrega as calêndulas alaranjadas, desamparadas numa cesta. Um personagem adorável, mas ainda assim um mero figurante.
Gosto de saber que contigo eu posso ser o galã principal do filme, gosto de saber que quando começar a chuva “cenográfica” terei a ti para ensaiar desajeitados passos de dança numa imensidão azul.
Que serei eu quem secará as gotículas que ainda restarão no teu ombro após as filmagens.
Vale ainda dizer, desde que entraste na minha vida, meu coração pulsa cada vez que ouve o teu.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009


* Ensaio sobre o amor, sobre nós dois *
Eu bem sei que a tua vida agora está meio corrida, assim como a minha, mas não posso deixar de te lembrar o quanto te amo.
Eu também sei que a maioria das pessoas se perdem em momentos assim.
Entretanto nós dois, querida, sempre nos encontramos.
Porque há de sempre ocorrer um carinho telepático,
um e-mail de "euteamoprasempreecadavezmaisamordaminhavida",
um sorriso,
um gesto,
um beijo roubado...
para nos salvar.
Escritos em cartas dentro de caixas douradas. Ficam lá guardados os hinos que cantam o nosso amor.
És a moça da minha vida.
Sou o moço que te fará feliz (prometo...).
Porque amor também é ser companheiro.
E, às vezes, alguns esquecem disso.
O amor é cultivado em todos os momentos.
Intangível é o amor que os outros querem. Com perfeccionismo, exibicionismo, posses, ranhaduras da dura realidade.
Possível é esse amor, o mais bonito de todos, que nos une... que é o lugar mais quente e doce do mundo inteiro.
Enquanto a maioria das pessoas se perdem,
eu sempre acabo te encontrando dentro do meu coração.
PS: Amanhã!!! Sim, sim... veremos a querida Bella e o brilho poético do Edward!!!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Da série postagens antigas - parte XXXVIII - texto do dia 08/03/2007.

* Dos 150 dias *

Cinco anjos unidos pelas pequenas mãos brancas brincando de ciranda no pátio dos fundos da casa de Deus.
Cinco riscos que formam uma carinha sorridente no canto esquerdo do caderno da menina que usa laço de tule no cabelo ruivo.
Cinco chicletes de canela.
Cinco dedinhos do pé da Natasha.
Cinco fios do "topete" vermelho do Pedro.
Cinco lambidas rápidas (e avassaladoras) na nuca dela.
Cinco trufas da Tcha Miriam para uma tarde triste.
Cinco colheres de achocolatado, uma lata de leite condensado e uma colher de manteiga para o doce perfeito.
Cinco pitadas de beijos (lascivos).
Mais cinco de beijos (ainda mais lascivos).
Cinco tatuagens espalhadas pelo corpo dela.
Cinco sorrisos multiplicados por mil cada vez que ele vislumbra ela do outro lado da rua.
Cinco certezas. Ela nasceu para ti, Deus é um cara realmente bacana, vocês dois serão felizes juntos, os olhos de Sofia e os de Caio serão como os dela, esse sentimento é para sempre.
Cinco tentativas anteriores um tanto frustradas.
Cinco canetas coloridas que escreveram "Te amo" e animaram o pano escuro.
Cinco canções para nós.
Cinco e a certeza do amor.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009


* Meu coração – que é feito do mesmo tecido que é bordado o teu *

Adoro ler “céu” escrito no final da amarelinha com um giz azul mas tão azul que parece ser até invenção da minha cabeça. E sei que poderão até pensar: “Coisa bobinha essa”. Coisa minha, eu pensarei.
Uma mocinha metida ou um cara amargurado qualquer poderá tentar roubar as tuas frases prediletas do Caio, mas tu saberás que o Caio escreveu elas pra nós dois (que nos amamos puramente). E ponto final. Aquela sobre “almas especiais que se reconhecem”, bem como aquela “memória congestionada e coração com marcas e ocupar lugares bonitos” são valsinhas para embalarem os sonhos feitos de pão-de-ló e doçura que nós dois, juntos, temos.
O ipê repleto de flores roxas também. Deus desenhou aqueles ipês todos na Redenção para nós. E acreditem, apesar do trabalho todo, no final da labuta, ainda pensou: “Para aqueles dois só coisas que nos fazem acreditar que o amor, enfim, é possível”. As flores do ipê, as ruas de Porto Alegre, os tapetes roxos, são nossos.
E essa vontade absurda de tentar fazer o melhor, de ser o melhor. De não brigarmos por coisinhas poucas. Não somos os dois reféns de discussões desgastantes. Aprendemos diariamente, um pouquinho mais, sobre gentilezas. O amor, para que ainda não sabe, vive de gentilezas.
Às vezes, apenas às vezes, acontece de encontrarmos numa velha foto o amor de nossas vidas. E sortudo é aquele quem consegue. Sortudo mesmo, querida, sou eu. Encontrei numa foto meio amassada, o grande amor de minha vida. Te encontrei!
Desde então, desde o dia que te conheci, parei de procurar as conchinhas coloridas na beira do mar. Desde o momento em que casamos, as conchas que eu tanto queria, fiz com as tuas mãos unidas às minhas.
Temos em nossas conchas não mais barulhos do mar. Temos dentro de nossas conchas furtacor, agora, o amor de todo o mundo guardado.
E por favor, não fiques chateada, se por um minuto eu fechar os meus olhos. É só para pensar em ti.