segunda-feira, 26 de setembro de 2011





* Para celebrar setembro (que finalmente chegou) *



Clarice adentra o quarto, breve e de uma vez só, diz:
- É primavera. E agora?
Ele pensa. Queria dizer que “ainda bem que terminou aquele agosto”, que está com o joelho doído por causa da batida na mesa onde fica a impressora no seu trabalho, que a tal TV de LCD está em promoção naquela loja do shopping, e principalmente, que a ama muito. Mas só saiu uma frase atropelada, sem pontuação nenhuma, algo assim:
- Ué, a gente continua sendo feliz.
Ela balançou a cabeça. Como fazia há quase cinco anos. E murmurou, contrariada:
- Amor, eu preciso de um pouquinho de objetividade. Eu terei que decidir o que faremos?
E ele, com a mão no queixo, sentado na poltrona forrada do tecido com desenhos de hibiscos rosas e lilases, declara:
- Lembras da formatura? Eu lembro bem. E tu falaste, com um sorriso em lábios cor fúcsia, fazendo um breve afago nos meus ombros: “Vamos combinar de sair um dia desses!”.
Ela:
- Sim, mas por que a recordação?
Carlos, dessa vez sorrindo, diz:
- Desde aquele momento, eu não sei bem qual será a tua próxima ideia, plano, projeto. No entanto, uma coisa sei, estarei ao teu lado.
Clarice deixou cair uma lágrima atrás do óculos vermelho.

A vida era meio complicada,
o seu chefe era chato,
a viagem a trabalho para o “fim do mundo” ainda poderia acontecer,
a samambaia era muito grande para a pequena sala do apartamento dos dois, mas o amor... bom, o amor havia lhes encontrado.




PS: Natália, o retorno. : )



quarta-feira, 30 de março de 2011



PS: Queridos, a vida anda meio corrida. Tento voltar logo!

PS II: O amor continua a florir enormes cerejeiras rosadas. E percebam... nem é primavera ainda.

PSIII: Muitos beijos, sorrisos, acenos de mãos apressadinhas. Até breve!


segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Da série postagens antigas - parte XLII - texto do dia 25/05/2007


* Dos dias ao teu lado...*

Porque tens a beleza quase inatingível das estrelas mais longínquas e ainda assim com o teu beijo consigo planar pelas coisas tristes, pelas lágrimas, pela solidão, pelos beijos sem amor.
Porque teu nome não deveria ser esse.
E não que eu ache ruim tu teres esse nome que soa como aqueles nomes da nobreza, de princesas medievais. Mas teu nome deveria ser amor.
A Menina Amora, talvez. Todos deveriam sorrir ao ver teu sorriso. Que seja com o aparelho metálico que tens adornando os dentes leitosos e perfeitos.
Seja logo quando não tiveres mais isso tudo te incomodando.
A verdade é que eu não sabia o que era o amor antes de tu chegares.
E roubo aqui tuas palavras, mas como um moço educado, gentil e quase-quase "puritano" que sou, como um bom ladrão transcrevo nessa altura do texto - que é inteirinho sobre tua companhia - o nosso diálogo.
Faz de conta que eu me chamo Fred e tu tens o nome de Elsa, sim...sim, como o filme bonito que tanto gostamos:
- Elsa, amor... estás com frio?
(e nesse momento, vocês, leitores de um blog colorido saberão sobre todas as sutilezas de um sentimento que é para sempre)
- Eu estava com frio antes de tu chegares.
E Fred então se sente contaminado com a doença mais doce que há.
Sim, Fred está apaixonado. E só lembra de ter sido apaixonado assim por Elsa. Por ela.
Há quase oito meses são assim... companheiros.
Ela faz exame de sangue, ele a acompanha e tomam um café após e juntam as mãos por baixo da mesa.
Ele termina a aula chata, de Direito Administrativo... e ela o encontra no final da manhã e saem por aí...
Talvez a grana seja curta, talvez os espinhos machuquem um tanto, talvez o céu esteja cinza e as provas sejam duras, mas os corações dos dois estão fartos (de amor, amor e amor).

domingo, 17 de outubro de 2010



* Dos quatro *

Quatro são as folhas do trevo da sorte.
Quatro são as mãos unidas que parecem orar uma rezinha para festejar o "para sempre" feliz.
Quatro são as tentativas que fiz antes de te dizer que já te amava.
Quatro são os anos ao teu lado. Quatro serão as décadas junto a ti.
Quatro eram os moços de Liverpool.
Quatro é um número par, e como eu prefiro os números ímpares, torço que logo chegue o nosso aniversário de cinco anos.
Quatro pegadas da Tinoca demarcando a cozinha.Quatro caras com vozes maravilhosas cantando "My girl".
Quatro é o número de letras da rua em que iremos morar.
Quatro são os países que conhecemos.
E quatro são os países que ainda conheceremos na nossa Lua-de-Mel.
Quatro são os minutos que doem quando estou longe de ti.
Quatro segundos é o tempo que dura o sonho.
E mais quatro segundos para que eu te veja ao meu lado, e saiba que o sonho não acabou.
Quatro netos (um dia, um dia).
Quatro são tu, Caio, Sofia e eu sorrindo até dar cãibra no canto da boca.
Quatro é amor.



domingo, 3 de outubro de 2010

Da série postagens antigas - parte XLI - texto do dia 20/04/2007


* Sobre nós dois (que amamos) *

Ela, ainda sonolenta, disse deitada na cama apoiando os dois pés na parede (com aquela preguiça que não a deixa):
- Que cor será o amor?
Ele ficou pensando.
O amor não deveria ter uma cor apenas.
Deveria ser assim como um arco-íris.
Antes de dizer qualquer coisa, a olhou novamente.
A camisola branca com uma bonequinha em tonalidades roxas, rosas, amarelas enfeitavam a roupa, sem meias, sem sutiã (ou qualquer outra coisa que a oprimisse).
Um pedaço da calcinha conseguiu enxergar.
Talvez fosse cor de pele, creme, rosinha bebê, cor de pêssego ou algo assim.
Então finalmente respondeu:
- O amor tem a tua cor.
(riram os dois. Todos os dias quando eles estavam juntos eram bonitos. Eram, enfim, um belo par).

sábado, 31 de julho de 2010


* Confissões de um moço enamorado *

Olhe bem, eu não deveria te revelar o mais secreto dos segredos.
Deveria permanecer mudo, matutar quietinho com meus sonhos silenciosos.
Eis que tu surges.
E não dá para se calar diante tamanha beleza.
Tens uns olhos frescos, matutinos. Eu te digo, é o breu do quarto e eu juro, ainda assim vejo teus olhos cor de pasto beijado pelos primeiros raios solares do dia.
A mulher mais bonita do mundo, é minha namorada.
Dois faróis "verdes-Listerine", não sei se alguém mais tem olhos assim.
Uma pele clara.
Descorada.
Uma pele que só as bonecas de porcelana têm.
As bonecas de porcelana e tu.
És tão suave.
Tão branca.
Tão neve, tão leite, tão... e faltam os adjetivos.
E eu torno a repetir, a mulher mais bonita do mundo... é minha namorada.
Tens uma nuca graciosa.
Uma nuca que parece ter sido esculpida.
Uma nuca que numa poesia rimaria com "bela".
Desculpem-me as mocinhas que desfilam em seus grandes saltos, com pó "nude" para amenizar as olheiras, com jeitos delicados e ensaiados, com aquele mesmo blá-blá-blá intelectual de quase sempre.
A mulher mais bonita do mundo, é a minha namorada.
Queria ser um pedaço daquele casaco turquesa que tu tens.
Te abraçaria pelas costas lisas pelo inverno todo (que castiga Porto Alegre).
Seria um "tecido-amor" para esquentá-la durante os meses de julho, agosto.
Em setembro, eu seria uma florzinha de ipê-lilás que adorna a tua orelha esquerda.
Tens uns dedos longos.
"Dedos de pianista" - como diria teu pai. De elegância em forma de mulher.
Tinha 15, 16 anos e nem sabias da minha existência. Naquele momento, te elegi a minha musa predileta dessa ciranda doida que se chama vida.
És erva-doce no meio da erva-daninha de todos os campos.
A mulher mais bonita do mundo, é minha namorada.

domingo, 13 de junho de 2010

Da série postagens antigas - parte XL - texto do dia 20/03/2007.



* Do sonho - parte III *

Acordei então sorrindo, como se girassóis alados tivessem perseguido a noite inteira e faceiros teriam feito cócegas nos meus dois brancos pés.
Pulei da cama cantando... uma cantiga que assim, rapidamente esqueço o nome.
Sei que falava (e acho que o cara que escreveu a música te conhecia) das vestes, do jeito de sonho, da presença do ser amado.
E eu me remeti à ti.
Recordei daquele que seria o primeiro dia, em que tu estavas de óculos, camiseta da Itália, um sorriso nos lábios.
Me pediu então a caneta que estava na tua bolsa.
Eu correndo peguei ela e encostei as pontas dos dedos nos teus dedos... e tu apertou mansamente a minha mão.
(e eu quis ser teu, só teu)
Deve ser assim que começa um grande amor.
Duas pessoas se conhecem há tempos, há anos, há vidas.
Tu sabes da minha existência,e eu sei da tua.
Então cada vez que eu encontrava algum conhecido teu, perguntava:
"Como vai a moça que parece mel?"
E me diziam "tudo bem, tudo bem".
E eu sei que tu também perguntavas de mim:"Como tá o mano mais velho?"
Eu não estava lá tão bem (faltava ainda unir meu corpo com o teu).
Foi então o reencontro.
E eu que entendia pouco assim do amor... venho aprendendo cada vez mais contigo.
Cada vez que abro os olhos e te vejo ao meu lado, é como se o anjo que tem me acompanhado desde pequeno me dissesse:
"Vai, moço sonhador. Casa com a menina que tem rima de mel."
(e eu esfregasse meus olhos castanhos e emocionados aceitando agora que a vida "vivida" é ainda mais bonita que o sonho).

PS: Três anos e oito meses!!!