sexta-feira, 3 de abril de 2009


* Dos significados do amor *

Antônia não sabia até então o que era o amor.
A mãe, quando Antônia ainda era criança, lhe havia dito uma vez que: "Amor é invento do capeta".
Antônia então passou a acreditar que o amor era plano ardiloso "daquele que não se diz o nome" para subverter pobres mocinhas de corações desamparados.
Segundo o pai de Antônia, o amor era: "...o leve deslize do fechecler que deixava à mostra tudo aquilo que deixaria qualquer cabra-macho desatinado. Era penugem, saliva doce, gracejos libidinosos e múltiplas explosões." A menina não compreendia muito bem sobre o que seu pai falava. Segundo a própria Antônia seu pai era confuso, beberrão, mas ainda assim possuía uma boa alma. Sorriu para o pai diante àquela explicação, pediu a benção habitual e saiu a procurar alguma explicação melhor.
Para a tia Carmela, a dona da confeitaria: " O amor é como devorar três pães doces, quatro quindins, sete bem-casados, oito fatias generosas de nega maluca, cinco olhos-de-sogra e ainda assim sentir a necessidade de ingerir um sonho entupido de doce-de-leite inteirinho ao final da orgia alimentar. Amor é doçura, menina". Tia Carmela era uma senhora obesa, de cento e muitos quilos, com pele oleosa, olhar tristonho, cabelo comprido repleto de pontas duplas. O marido de Tia Carmela já tinha tido casos com quase todas as moradoras do bairro Santa Maricotinha e por isso tia Carmela já havia tentado se matar algumas vezes, mas na imaginação daquela feia senhora, o amor era doçura.
Antônia não entendia bem como as pessoas possuíam aquela facilidade desmedida de descrever o amor e ela invejava poder fazer isso também.
Antônia, quase todas as noites antes de adormecer, pegava o seu caderninho de capa já desbotada e iniciava aquela mesma frase:
" O amor é "reticências" ".
E não conseguia prosseguir na busca das palavras exatas. Ia então dormir desesperançada e cansada de tentar entender.
Entretanto, como nenhum conto sobre o amor deveria terminar mal, Antônia naquele setembro florido encontrou Frederico.
Frederico, penúltimo de uma família de quatro irmãos. O mais bonito dos rebentos e provavelmente o mais dedicado filho. Fumava só eventualmente, costumava dizer que fazia aquilo pelo "social". Bebia pouca cerveja pois tinha enxaquecas tremendas. Não sabia fazer conta de cabeça. Era querido, charmoso, um verdadeiro "gentleman". Sorria com os lábios e com os dois grandes olhos verdes. Já tinha tido algumas namoradas, mas a nenhuma prometera amor eterno como o que prometeu a Antônia no terceiro dia que se encontraram. Tinha a mania de esfregar o nariz com a mão em formato de concha quando pensava em soluções para problemas gigantescos. Passava a mão constantemente na franja em desalinho que insistia em cair sobre a testa. Tinha perfume de mescla de flores-do-campo, essência de baunilha e esperança que moraria no coração daquela que era a escolhida.
E naquela mesma noite, antes de sonhar, Antônia escreveu em seu caderno:
" O amor é Frederico".
PS: Porque quando setembro chega trazendo aqueles ipês lilases e amarelos eu tenho ainda mais motivos pra comemorar. Te amo. Rumo aos três!!! :D

6 comentários:

Estefanie Fernandes disse...

Que coisa mais fofa *-*

Marisete Zanon disse...

Fiquei com dó de Antonia, cercada de gente ( como posso chamar pessoas que não sabem definir o amor?)...Tá o amor não se define mesmo, precisa ser sentido...um abraço gracinha e tbm obrigada pela visita! inté

Érika Oliveira disse...

Sua vida deve ser cheia de amor, pra viver inspirada e escrever coisas tão belas assim. Parabéns, Natália, você me encanta com seus textos!

Joanne disse...

Viva q Antônia encontrou Frederico!!!rs
"O amor são os textos de Natália"
Bjooo

Anônimo disse...

Nossaaaaa... mami... demmais hein!!!

Fern. disse...

Cada qual com seu cada qual, cada um com seu amor.

Uma gracinha de texto, xu!

Beiijos!